quinta-feira, 28 de abril de 2011

SOBRE TUDO QUE QUIS, SOBRE O QUE TENHO E SOBRE A DÚVIDA...


Não queria aparentar inveja ou coisas do tipo, mas nem me importo... Não queria que fosse assim e ninguém nem se importa pela forma como tudo é...
Tudo tem sido tão sofrido... Tão forçado... Tentar dia a dia, contar cada segundo pra poder respirar e dizer: lá se foi mais um dia! Fico pensando no meu exercício diário, fico me perguntando se uma hora isso tudo vai se tornar só mais uma prática inconsciente... Mas não estou nem perto disso...
Existem tantas pessoas por aí... Tantos têm lá os seus privilégios e a minha vida é tão sofrida pra conseguir uma migalha... E nada se compara ao que eles podem ter...
Meus amigos estão por aí, subindo na vida e concluindo novos projetos... Eu estou seguindo, mastigando todos os dias as frustrações dos meus.
Meus amigos têm relações seguras, conduções mais dignas, trabalhos menos desgastantes, humor mais leve... Meus amigos têm roupas resistentes, investimentos em algo futuro, capacidade de adaptação, pensamento rápido, dispensas melhores e sorte...
Meus amigos me oferecem caronas em carros novos, quando tudo o que eu posso comprar são produtos defeituosos que em uma semana voltam para a loja... E quando eles sabem do que tenho, dizem que está sobrando pra mim...
Meus amigos realizam casamentos, têm esposas em casa, crianças de colo, quartos confortáveis... Minha casa não para mais em pé... Duas vigas arcadas suportam o teto. Eu e minha mãe... Gememos de dor debaixo do peso... Minha família foi estilhaçada sem que eu soubesse como e mesmo assim todos se foram pra longe...
Meus amigos são bonitos, têm corpos fortes, são resistentes ao frio... Eu não sobrevivo aos resfriados... Exercito meu corpo para me sentir mais confiante, para ser bonito, mas não tenho isso e nunca terei... Tenho só um corpo semi deformado que não responde aos estímulos...
Meus amigos olham para o futuro confiantes em si e no mundo, eu não consigo olhar para o futuro sem sentir isso que estou sentindo agora a cada letra que digito... Eu sinto meus olhos tentando sair de órbita, sinto que olhar para o futuro dói tanto como olhar para o sol...
Mas é noite e todos estão dormindo... E eu não vou gritar para acordar ninguém, porque todos vão rir de mim. E mesmo que não façam isso, vão se virar para seus próprios projetos, porque na realidade todos eles têm o que eu não posso ter: família de verdade, moradia segura, amigos de verdade, amor pra toda a vida, sentimento de pertença, valor, reconhecimento, dinheiro, sorte, e tudo aquilo que eu tento buscar sem nenhum resultado...
Não sei se haverá uma outra vida depois dessa...
Não sei se haverá uma recompensa pelo sofrimento...
Não sei de nada e nem estou interessado em saber, porque de lá pode vir apenas mais uma decepção...
Por que?
E por que ainda existe alguma crença num INFERNO?




Oswaldo Juliano Sandi

POEMA DO BOM HUMOR NA QUINTA-FEIRA CHUVOSA E FRIA...


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Oswaldo Juliano Sandi

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DESPEDIDA


E no final, quando não sobrar mais nenhuma palavra a ser dita... Será que ainda existirá algum propósito antes de seguir-mos com nossas vidas?


Oswaldo Juliano Sandi