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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

CORAÇÕES DE PAPEL

Corações de papel
Papéis rabiscados
Corações delirantes
Mundo ao contrário

Telas acesas
Sentimentos que fluem errados
Teclas que cantam
Uma canção desequilibrada...

Quase não te ouvi
E não toquei a sua face
Não sei exatamente como é sua pele
E mesmo assim estou perdido...

Ócio amaldiçoado,
Encontros marcados...
Desencontros talvez planejados
Mais um momento perdido...

Nas reticências do tempo,
Você esconde o que sente.
No meu imediatismo,
Te quero e te busco presente...

Não tenho necessidade alguma de pedir desculpas,
Eu fiz e participei no máximo que pude.
Não quero que se desculpe, tampouco, se li sua mensagem,
Meu caminho foi você quem estendeu na frente dos meus pés.
Porque é muito esforço pra nada - 
Corações de papel - 
Se na realidade, são apenas de papel e luzes negativas na tela
MAIS NADA...





Oswaldo Juliano Sandi

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

NOSSO ABISMO TEMPORAL

A viagem é sempre longa e eu sempre sei o meu objetivo: você.
Naquele futuro distante, tudo o que eu sabia era o motivo por que me perdi. Não sabia mais nada... Sua cidade tinha ruas de labirintos e ladeiras nas quais me perdi de muitos outros... Não havia nada claro pra mim.
Poucos chegaram comigo ao meu destino e quase ninguém entendeu a moral da história como eu entendi.
Seu condomínio não tinha mais as casas de cerca viva, nem observatórios noturnos... Talvez nem a grama fosse mais a mesma. Todos pisavam pra lá e pra cá, em um festival sem nenhum nexo para mim. Eram chalés brancos, mas não mais enumerados. Eram lojas, hotéis, ambulantes por todos os lados, vendendo o que eu não compraria ali.
Avistei alguém varrendo folhas debaixo de algumas árvores e vi sua silhueta naquela pessoa. Corri o mais rápido que pude. Deixei quem estava comigo parado ali, sem entender. Puxei você pelo ombro e falei seu nome. Mas não te encontrei. Me senti frustrado... Era alguém de pele envelhecida e olhar tristonho, como se esperasse qualquer coisa menos a revolução. Perguntei por você. Tudo o que me foi dito: aquela pessoa envelhecida não lhe via com bons olhos... Perguntei por sua morada. Mesmo tendo alguma noção, corri entre todos os chalés, transeuntes e vendedores... Você não estava por ali. Invadi casas, bares ao ar livre, passei pelos que esperavam sentados na grama... Ninguém. Minha visão escureceu aos poucos... até eu me esquecer de que existia...

A noite parecia mais longa que todas as outras. Acordei de um sonho quase pesadelo, de um pesadelo quase sonho, na madrugada fria. Estava em busca de alguém que amei muito. Meus dentes sangravam porque ringi-os fortemente e travei minha mandíbula enquanto tentava resgatar o sonho do despertar, ou qualquer coisa que quisesse dizer que eu queria era voltar pro seu mundo e te encontrar no meio das pessoas, não me importando quanto tempo isso fosse levar. Meus dedos em ambas as mãos estavam doloridos demais, em todas as juntas, porque os apertei fortemente...
Não adiantou, foi apenas um sonho. Foi apenas um pesadelo... Agora, depois do dia frustrante que tive e cansado, só precisava entender por que você veio me visitar depois de tanto tempo, assustando-me com minha força inconsciente, amaldiçoando meu cotidiano na forma de um velho que varria as árvores de minha memória doentia...




Oswaldo Juliano Sandi





quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PORQUE FRAQUEJA... (OU A ÚLTIMA FESTA)

De repente me vi...
Caído.
Chorando a inexistência de um mundo que existia nos livros da escola e no discurso dos mestres.
Chorei por cada sonho decepado à raiz, chorei pelos amigos que, na realidade, nunca fiz. Chorei pela realidade dura de ter pouco tempo pra me divertir e muito para vender...
Vendi meu tempo, vendi meus sonhos, parcelei a felicidade em pequenas gotas capitalistas... Roupas, conquistas, brinquedos, pessoas...
As pessoas se vendem dia e noite. Se vendem ao trabalho, se vendem aos amigos, se vendem ao amor... De repente, me vi pagando pra ter amigos, pagando pra ter um amor (que já se foi), pagando pra ter dinheiro e pagando dinheiro pelo que tenho muito pouco.
Os sonhos ficaram nas músicas. Os amigos ficaram nos filmes. O amor ficou no passado. Cada lágrima que choro não importa mais pra nada. Meu analista está mudo e não é meu amigo...
Ontem, me vi sozinho, vendido a uma festa, entre jovens desesperados por felicidade, injetando álcool e drogas no corpo. Meu 'amigo' não estava lá pra mim, estava lá por outros, que pagaram melhor o preço da amizade.
E eu estava realmente sozinho.
Muitas pessoas, ninguém presente pra me ouvir.
Se isso dói? Venho descobrindo isso desde os dezoito anos. Venho sofrendo cada tapa que a morte me dá na cara, gritando em meus ouvidos que não vai valer a pena correr atrás de tanta coisa. Meus ossos fraquejam, estou ficando arcado, meus dentes estão fracos...
Meus sorrisos já estão quase todos vendidos e eu morro a cada domingo. Morro a cada reticência.
Ninguém nunca poderá fazer nada por mim, por mais amigo, por mais amante, por mais ouvinte, por mais querido... Acontece que sou eu mesmo a engrenagem girando fora do eixo, espanando toda a máquina, precisando cedo ser substituída, porque fraqueja...





Oswaldo Juliano Sandi

domingo, 3 de julho de 2011

MEU PRIMEIRO AMOR...

Tarde da noite, por estes dias, tenho refletido muito. O arrependimento sempre volta a minha memória com um gosto doce. Eu queria mesmo era voltar no tempo, refazer todo aquele caminho que fizemos, não cometer tantos erros e esvaziar muitas outras garrafas de champanhe. Queria ter desbravado todos os mares contigo, porque acho que foi isso que valeu a pena. Ser um desbravador do universo... Eu tinha sede! Sede de verdade, sede da doçura que era conhecer o que é humano... Eu era ingênuo...

Hoje, em meio ao arrependimento, só tenho desejos de ter uma outra vida, desejo viver um outro alguém, só pra passar por este caminho de novo...

O primeiro amor é terno.
O primeiro amor é ingênuo e infantil, é desequilibrado, mas cuidadoso...
O primeiro amor é sempre seguro, mesmo quando descuidado.
É sempre honesto, mesmo que em ignorância.
O primeiro amor é sempre claro mesmo como a chuva fina no meio do sol em fim de tarde...
É dócil, ainda que às vezes triste.
É simples, mesmo que pareça complicado...
Nada nunca será tão surpreendente quanto o primeiro amor.

Em meio à ruína da minha vida, só o que me faz sorrir é a esperança de que o amor exista. Posso confiar nisso de olhos fechados, porque um dia eu vivi o amor de verdade, completo, amor/metade, complexidade irredutível, simplicidade inexorável...

Obrigado por ter vivido comigo a parte mais doce da minha vida... Espero que saiba que me lembro de ti em todos os cálices amargos que sou obrigado a beber fingindo que aquele amor voltará...
Em todos os olhares por que passar... nenhum me verá de verdade, como você viu.
Nenhuma mão que me tocar sentirá a sinceridade da minha pele.
Nenhuma palavra que me for dita terá a credibilidade das suas palavras.
Nenhuma corrente aguentará o peso da distância como a nossa corrente aguentou...

Todos os nossos elos estão em pedaços, porque o tempo enferruja qualquer fortaleza. Mas apesar disso, quero que sinta em seu coração todos os dias a energia do meu bem querer...





Oswaldo Juliano Sandi

segunda-feira, 20 de junho de 2011

PROCURANDO (Tradução livre: Looking Out - Brandi Carlile)

Eu já saí à procura de respostas, embora nunca tenha deixado a minha cidade. Eu sou meio confuso, mas sou bom em manter os pés no chão. Quando procurei respostas de um pregador, eu era jovem demais e não compreendi. É que algumas pessoas conseguem a religião, mas outras ficam com a verdade...
Eu sei que a escuridão cai sobre você e isso é apenas um ponto de vista, porque quando você olha pra si mesmo, percebe que pertence a alguém... E quando você sente vontade de desistir, quando o fim se aproxima, como se seu coração fosse quebrar em dois, você percebe que alguém ama você...
Deitado, posso sentir o peso dentro de um baú em meu peito como se tivesse o peso de alguém, então eu descanso assim, fingindo que existe uma troca. Então tenho uma nova interpretação, é um ponto de vista melhor: você estava procurando por algo grandioso e eu estava procurando por você... Alguém estava procurando por você...
Eu tenho medo de atravessar fronteiras...
Eu tenho medo de alçar voos cegos...
Medo das mentes questionadoras, medo de ser deixado para trás...
Eu fecho os olhos, penso em você...
Dou um passo e penso em você...
Recupero o fôlego e penso em você, não consigo dormir, eu só penso em você...
Minha primeira e única força avassaladora, você está derrubando minhas paredes.
[Quando você olha pra si mesmo, percebe que pertence a alguém... E quando você sente vontade de desistir, quando o fim se aproxima, como se seu coração fosse quebrar em dois, você percebe que alguém ama você...]







Oswaldo Juliano Sandi