sexta-feira, 24 de junho de 2011

POLIVISUAIS


Agora imagina...
Se uma borboleta vai voando, voando... E suas asas desvanecendo... Primeiro a cor em pó, depois as escamas de brilho. Então, sem asas, restam apenas os pés, pedalando o vento, em queda, rumo ao chão. E ela cai imóvel, em agonia, secando ao sol os olhos negros, polivisuais...
EXISTE APENAS UM MOMENTO PARA NÓS...
É o momento em que saltamos e e nos libertamos de todo o peso, todo o cansaço. E toda a dor fica no ar por apenas um momento, deslumbrando os inimigos da gente... E ninguém pode ver a queda, porque o ar está brilhando.
Meu sonho é que meu brilho cegue a todos, para que não possam nem sequer conceber a ideia do meu fim...

Oswaldo Juliano Sandi

QUEM VOCÊ É... (Tradução Livre: Who You Are? - Jessie J)

Olho para o meu reflexo no espelho, por que estou fazendo isso comigo mesmo? Perdendo minha mente em um pequeno erro. Quase deixei meu verdadeiro eu de lado.
Não, não, não! Não se perca na névoa das estrelas!
Ver é enganar-se, sonhar é acreditar...
Tudo bem não estar ok, às vezes é difícil seguir seu coração. Lágrimas não significam que você está perdendo... Todos têm seus hematomas. Apenas seja verdadeiro com quem você é...
Quem você é?
Escovo meu cabelo... eu pareço perfeita? Esqueci o que fazer para me encaixar ao modelo estabelecido, quanto mais tento, menos isso funciona...
Porque tudo dentro de mim grita: Não, não, não!
Não há nada de errado em ser quem você é...
Sim's, nãos, egos tão falsos...
Só vá embora e me deixe sozinho.
Papo real, vida real, boa sorte, boa noite... com um sorriso... Este é o meu lar.
Não, não, não! Não se perca na névoa das estrelas!
Ver é enganar-se, sonhar é acreditar...
Tudo bem não estar ok, às vezes é difícil seguir seu coração. Lágrimas não significam que você está perdendo... Todos têm seus hematomas.

Apenas seja verdadeiro com quem você é...




Oswaldo Juliano Sandi

segunda-feira, 20 de junho de 2011

PROCURANDO (Tradução livre: Looking Out - Brandi Carlile)

Eu já saí à procura de respostas, embora nunca tenha deixado a minha cidade. Eu sou meio confuso, mas sou bom em manter os pés no chão. Quando procurei respostas de um pregador, eu era jovem demais e não compreendi. É que algumas pessoas conseguem a religião, mas outras ficam com a verdade...
Eu sei que a escuridão cai sobre você e isso é apenas um ponto de vista, porque quando você olha pra si mesmo, percebe que pertence a alguém... E quando você sente vontade de desistir, quando o fim se aproxima, como se seu coração fosse quebrar em dois, você percebe que alguém ama você...
Deitado, posso sentir o peso dentro de um baú em meu peito como se tivesse o peso de alguém, então eu descanso assim, fingindo que existe uma troca. Então tenho uma nova interpretação, é um ponto de vista melhor: você estava procurando por algo grandioso e eu estava procurando por você... Alguém estava procurando por você...
Eu tenho medo de atravessar fronteiras...
Eu tenho medo de alçar voos cegos...
Medo das mentes questionadoras, medo de ser deixado para trás...
Eu fecho os olhos, penso em você...
Dou um passo e penso em você...
Recupero o fôlego e penso em você, não consigo dormir, eu só penso em você...
Minha primeira e única força avassaladora, você está derrubando minhas paredes.
[Quando você olha pra si mesmo, percebe que pertence a alguém... E quando você sente vontade de desistir, quando o fim se aproxima, como se seu coração fosse quebrar em dois, você percebe que alguém ama você...]







Oswaldo Juliano Sandi


sexta-feira, 17 de junho de 2011

VOCÊ PARTIU CEDO DEMAIS... (Tradução livre: Gone Too Soon - Simple Plan)


Hey, aonde você foi? Você me deixou de forma tão inesperada. Você mudou minha vida e espero que você saiba disso, porque agora estou perdido e tão desprotegido...
Em um piscar de olhos, eu não tive a chance de dizer adeus.
Como uma estrela cadente, voando pelo quarto, tão rápido e tão distante. Você partiu cedo demais...
Você é parte de mim, e eu nunca serei o mesmo sozinho sem você. Você partiu cedo demais...
Você sempre esteve lá como uma luz que brilhava nos meus dias mais sombrios para me guiar.
Oh, como sinto sua falta agora, queria muito que você pudesse ver o quanto aprecio sua lembrança...
Brilhe! Em um lugar melhor...
Brilhe! Nunca mais será do mesmo jeito.
Brilhe... Você partiu cedo demais...



Oswaldo Juliano Sandi

terça-feira, 7 de junho de 2011

DEFASADOS (ou NOSSO ERRO)

Meu erro é a fé.

Meu erro sempre foi tentar negar a fé torturante que existe dentro de mim, mesmo quando não quero. Mesmo quando não existe nenhuma possibilidade de conquistar o sonho...

Seu defeito é ser instintivo. Seu defeito e sua melhor qualidade são, ao mesmo tempo, seu instinto para tudo que é bom e lhe agrada...

Às vezes sinto que você estacionou em alguma fase muito anterior à que você deveria estar. Você está parado em algum momento onde a luta incessante pelo que se deseja vale sempre a pena. Vale sempre muito a pena para você seguir o que manda o seu instinto... Isso não é ruim. Isso é apenas ruim para uma pessoa como eu, que insiste na fé insustentável que eu carrego por você. Pela gente. Por um nós...

Vislumbro em você a paixão que se resume primeiro ao desejo carnal, em detrimento de tudo. Eu tenho a paixão congelada dos poetas que morreram pela sociedade, presa solitária no mundo das idéias...

Nosso acontecimento não se deu ainda. Nosso acontecimento nem se dará, porque analisando friamente, somos tão opostos quanto defasados.

Minha dor em pensar nisso tudo tem sido diária. Tem se refletido na minha voz triste a cada telefonema e no meu sorriso desesperado em cada pausa.

Odeio a espera, abomino a sistemática temporal de cada etapa e corrijo cada frase mal dita com uma conjugação eloqüente e fria. Mas a realidade é que o tempo não possibilitou o real desenvolvimento disso tudo, chegamos aqui defasados, desalinhados, cada um em uma dimensão independente. Nosso encontro foi rápido como o vulto fantasmagórico que se vê em um milésimo de segundo e depois parte para algo além, ultradimensional... Não existem fórmulas para solucionar. E minhas palavras agora silenciaram.

Queria tanto, queria muito, ainda quero, mas não existirá nenhuma conjugação que confronte o que eu desejo do que será de verdade. Porque todas as letras se espalhariam pelo chão frio deste inverno pelo qual passo sozinho.

Vou passar uns dias distante. Vou tentar evitar nossa comunicação. Vou ocupar minha cabeça com alguma coisa valiosa pra minha fé incessante... Mas eu tenho que ser forte e entender que insistir em você é me enganar redondamente, pedindo aos céus a ilusão que eu sempre desejei afastar...

E vou continuar aqui sozinho, vivendo as verdadeiras tempestades particulares, na espera de que eu um dia saiba viver em solidão...







Oswaldo Juliano Sandi

quinta-feira, 2 de junho de 2011

MINHA TEMPESTADE PARTICULAR...


As ruas desertas de uma cidade nunca saberão a origem da primeira gota que embaralha a poeira das suas calçadas. Nem nunca entenderão como uma tempestade é feita de milhares de gotas caindo forte no chão...
Seus postes, suas árvores reluzentes, esticando seus galhos como mãos em concha em busca de água... Nenhum ser entenderia sua chegada se não tivesse vivido este momento como eu vivi.
Eu estava lá quando as primeiras gotas caíram. Eu estava lá quando vi sua imagem despontar bem à minha frente no horizonte, iluminando meus olhos. Sim, eu não acreditei no milagre de um arco-íris, eu só vi as nuvens da tempestade ao meu redor. Eu estava lá, quando com um nó na garganta marcamos nosso encontro. Eu estava lá quando nossos olhos se encontraram e eu tremia de frio e de angústia. Eu estava lá quando fui aceito e querido, quando fui embalado nas minhas melodias mais íntimas e solitárias... Eu estava lá quando te vi pela primeira vez sorrindo sem movimento, falando sem emitir um som, se movimentando, deslizando calmo e silencioso como uma tempestade monstruosa...
E como a tormenta que traz junto o vento na estação mais quente, nos abraçamos... e todos os sons juntos vieram, cantando em uníssono uma ode à beleza de um mundo insensível.
Eu pude ouvir, ver e sentir, vindos da mesma fonte: teu rosto, tua voz, tua pele, tua fala...
E como se eu não pudesse fazer nada, deixei que a tempestade caísse sobre mim, esperando pela luz do sol, e sentindo ainda na boca o gosto das suas primeiras gotas...

Oswaldo Juliano Sandi